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Publicado por no dia 30/09/2014 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

Jovem brasileiro é acusado de apoiar terroristas sírios

Brian-de-Mulder-facebook

Organização que Brian de Mulder integra, Sharia4Belgium, é acusada de doutrinar jovens e recruta-los para participar de ações extremistas

A justiça da Bélgica abriu nesta segunda-feira (29) o primeiro julgamento de um grupo acusado de doutrinar jovens e recruta-los para participar da guerra na Síria.

A lista de acusados no que está sendo chamado de “o megaprocesso do jihad” inclui 46 nomes, entre eles Brian de Mulder, o jovem belga de origem brasileira que desde janeiro de 2013 engrossa as filas do autodenominado “Estado Islâmico” na Síria.

No entanto, só oito dos acusados estão presentes. Os demais continuam na Síria ou faleceram.

“Este é o maior processo por terrorismo já realizado na Bélgica”, disse Veerle De Vries, porta-voz da polícia de Antuérpia, segunda maior cidade do país, onde acontece o julgamento.

O ponto comum entre os acusados é a organização extremista Sharia4Belgium, que prega a instauração da lei islâmica no país europeu e é considerada pelas autoridades locais como principal fileira de recrutamento de combatentes belgas para a Síria.

Foi depois de começar a frequentar as reuniões do grupo, em 2010, que De Mulder se converteu ao islã e se radicalizou rapidamente, afirmou sua mãe, Rosana Rodrigues, em entrevista concedida à BBC Brasil em julho de 2013.

Doutrinamento

Rosana disse que não se deu conta dos sinais de radicalização de seu filho

Rosana disse que não se deu conta dos sinais de radicalização de seu filho

As autoridades belgas começaram a investigar a implicação de Sharia4Belgium no conflito sírio em fevereiro de 2012, após alertas de pais sobre diversos jovens que deixaram o país para se envolver no combate.

Desde então, o número de belgas que integram grupos extremistas como a Frente Al Nusra ou o autodenominado “Estado Islâmico na Síria ou no Iraque” passou de 80 para 400. O número de europeus no conflito chegou a 3 mil, contra apenas 500 há um ano, segundo a União Europeia.

As autoridades da Antuérpia acreditam possuir elementos suficientes para classificar o Sharia4Belgium como grupo terrorista e condenar seus membros por diversos crimes.

Jejoen Bontinck, 19 anos, presente no processo, é uma peça central da acusação. Ele voltou à Bélgica no ano passado, depois de oito meses lutando ao lado dos extremistas na Síria.

Detido e interrogado pela polícia federal belga, o jovem se apresentou como vítima da organização, afirmou que foi sequestrado por seus antigos companheiros de luta quando decidiu abandonar o conflito sírio e forneceu várias informações sobre o recrutamento e encaminhamento de estrangeiros às fileiras jihadistas.

O principal acusado é Fouad Belkacem, 32 anos, líder e antigo porta-voz da organização, detido em Bruxelas desde abril de 2013 por incitação ao ódio.

Ele e outros 15 podem ser condenados a até 15 anos de prisão e perder a cidadania belga por comandar um grupo terrorista responsável por recrutar jovens e submetê-los a um “doutrinamento religioso e ideológico”.

Os demais, entre eles Bontinck e De Mulder, são acusados de participar de atividades de uma organização terrorista e estão sujeitos a penas de até 5 anos de prisão.

De Mulder também é acusado de publicar ameaças de ataques terroristas à Bélgica, ao ministro da Defesa, Pieter De Crem, e ao líder político holandês Geert Wilders.

O processo, previsto para durar dois dias, acontece sob forte segurança.

As autoridades belgas estão efetuando controles de identidades e recomendaram aos cidadãos evitar circular pela região do Palácio de Justiça de Antuérpia.

A luta de uma mãe

A brasileira Rosana Rodrigues, moradora da pequena cidade de Rummen, na Bélgica, teve seu filho, Brian De Mulder, 20 anos, levado em janeiro deste ano para lutar com os rebeldes na Síria. Depois de ser aliciado pelo movimento radical islâmico Sharia4belgium em uma mesquita da cidade de Antuérpia.

Segundo a brasileira, Brian caiu em depressão em 2011 ao ser dispensado de um time de futebol em Antuérpia e foi levado por amigos marroquinos à mesquita do radical Fouad Belkacem (também chamado Abu Imran). Lá, o rapaz criado em colégio católico, que costumava ir à missa quase todos os domingos, converteu-se a um islamismo radical. Adotou um comportamento agressivo, deixou a rotina de trabalho e estudos, e passou a chegar em casa de madrugada.

No dia 23 de janeiro Brian saiu e não voltou mais. Segundo Rosana, a polícia teria rastreado a localização do envio do último e-mail do filho, que seria Damasco, capital da Síria.

Desde então, a família só teve notícias dele em três breves mensagens pelo Facebook, respondendo a insistentes tentativas de contato de sua irmã mais velha, Bruna, de 25 anos. Em nenhuma ele revelou onde ele estava.

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Fonte: G1

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