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Publicado por no dia 20/06/2016 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

Japão: Após estupro, milhares protestam contra militares americanos

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Manifestantes carregavam cartazes contra presença militar americana na ilha de Okinawa e contra os crimes praticados por eles

Milhares de pessoas protestaram neste domingo (19) na ilha japonesa de Okinawa contra a presença militar dos Estados Unidos e contra os crimes cometidos por funcionários americanos nas últimas décadas, como por exemplo estupro de mulheres e assassinatos. Segundo os organizadores, 65 mil pessoas foram às ruas.

Segundo matéria da ‘RFI’, a exasperação da população se deve a incidentes ocorridos desde o início do ano, mas que integram uma lista com precedentes. Em abril, o estupro seguido de assassinato de uma jovem japonesa de 20 anos, morta por um um empregado da base americana de Kadena, chocou o país. Em junho, um oficial da Marinha feriu gravemente duas pessoas quando dirigia seu carro embriagado. Em março, um soldado de 24 foi detido sob suspeita de agressão sexual.

A ilha de Okinawa, onde mora menos de 1% da população japonesa, recebe a metade do contingente de 47 mil soldados americanos presentes no país e 75% das instalações do Pentágono. As agressões cometidas por militares americanos, embora representem apenas 1,3% dos casos suspeitos registrados em todo o território, tiveram forte repercussão na mídia e geraram um clima de insegurança entre os japoneses.

Para acalmar os ânimos, as autoridades americanas instauraram toque de recolher à meia-noite e restrições ao consumo de álcool. Porém, as medidas não apaziguaram a revolta dos japoneses.

País não admite violência sexual

A manifestação deste domingo começou no estádio de Naha, capital da prefeitura de Okinawa, com um minuto de silêncio por Rina Shimabukuro, a jovem de 20 anos que foi estuprada e assassinada em abril. “Por que minha filha? Por que matá-la?”, questionou o pai em uma mensagem lida no início do protesto.

Algumas pessoas carregavam cartazes que diziam “Fora Marines”. “Estou muito triste e, acima de tudo, não quero outra vítima”, afirmou Chihiro Uchimura, um manifestante de 71 anos. “Enquanto houver bases militares americanas, tais incidentes vão se repetir”, considerou.

A militante dos direitos das mulheres Suzuyo Takazato disse que “mesmo que um único soldado americano cometa um crime, isto significa 10 casos por 1.000 e 100 por 10 mil, o que é inadmissível”.

‘Colônia militar’

Em frente ao Parlamento de Tóquio, uma manifestação semelhante denunciou esses incidentes e tentou bloquear o projeto de transferência, a uma baía, das instalações militares atualmente localizadas no centro da cidade. Há décadas as bases se encontram na localidade de Ginowan. O plano consiste em mudar a base aérea de Futenma para uma região menos povoada do litoral, em Henoko. As autoridades de Okinawa, com o governador Takeshi Onaga à frente, exigem a sua total retirada e não uma mudança de lugar.

A transferência começou a ser planejada depois do sequestro e estupro em 1995 de uma adolescente de 12 anos em Okinawa por três militares americanos. Na época, Washington prometeu submeter suas tropas a uma maior disciplina. O projeto não foi possível devido à oposição das autoridades locais e da população.

“O Japão ainda é uma colônia militar dos Estados Unidos, Futenma é o símbolo disso”, lamentou um professor de 59 anos, Noboru Kitano.

Os Estados Unidos ocuparam Okinawa por cerca de 27 anos após a Segunda Guerra Mundial. Em 1972, entregaram o controle da localidade para o governo japonês, mas mantiveram bases militares, considerando a ilha um enclave estratégico na Ásia.

Cerca de 100 mil pessoas participaram de uma manifestação em 2010 contra a construção de uma nova base. O governo de centro-esquerda, eleito em 2009, não conseguiu acabar com a de Futenma. No final de 2012, a direita voltou ao poder com Shinzo Abe e defendeu a transferência da base, dizendo que era “a melhor e única solução”. Mas encontrou forte oposição do governador.

O protesto deste domingo pode lançar uma mensagem ao governo central e aos Estados Unidos, cujo presidente Barack Obama foi forçado em maio a expressar pesar pela morte da jovem Rina Shimabukuro.

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Fonte: RFI

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