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Publicado por no dia 02/09/2016 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

Itália: sobreviventes temem chuva e abandono após terremoto

terremoto-italiaReprodução-Twitter

Centro da cidade de Amatrice, na Itália, a mais afetada, após o terremoto. Mais de 3,5 mil pessoas que perderam casas estão em barracas. ‘Não nos abandonem’, é a frase que mais repetem os sobreviventes

A difícil condição na qual estão as mais de 3,5 mil pessoas que perderam suas casas após o terremoto no centro da Itália e que vivem em barracas de campanha há uma semana se soma agora à chuva, ao frio e à preocupação de serem abandonadas.

“Não nos abandonem”, é a frase que mais repetem os sobreviventes do terremoto às autoridades que os visitam nos acampamentos, pois cresce o medo de ter de passar meses sob a chuva e o frio nestas barracas à espera de outras casas.

As condições meteorológicas pioraram na área afetada pelo terremoto de magnitude 6.2 que devastou municípios inteiros da cordilheira dos Apeninos Centrais, onde choveu incessantemente nos últimos dias e teme-se que o tempo siga piorando.

Se nesta semana os desalojados não podiam estar dentro das tendas durante o dia pelo calor, agora a chuva não os deixa sair.

“Era o que faltava, a chuva!”, lamentou Franco Santini, da Confederação das Misericórdias, uma associação católica que se dedica ao voluntariado e que colabora com a Defesa Civil, já que instalou e administra dois campos para 500 pessoas na cidade de Amatrice.

Santini, que é advogado, interrompeu suas férias e deixou sua mulher e suas três filhas para vir ajudar, da mesma forma que os outros 120 voluntários da Confederação das Misericórdias e que trabalham dia e noite em atender estas pessoas.

O voluntário destacou que a chuva complica ainda mais os trabalhos no acampamento, como cozinhar, e sobretudo passar as horas, porque agora está tudo cheio de lama.

“Aqui é feito de tudo, cozinhamos, administramos provisões, ajudamos em tudo o que se pode, inclusive jogando cartas com estas pessoas para passar o tempo”, contou.

Santini afirmou que os sobreviventes pouco a pouco vão encontrando sossego apesar do drama e disse que a princípio estavam bastante desorientados e inclusive “queriam pagar o café oferecido”.

“Agora sentam contigo e te contam como a sorte ajudou a estarem vivos, falam dos amigos que perderam e também da confiança no futuro”, acrescentou este voluntário.

No entanto no momento difícil, “a solidariedade funcionou perfeitamente” e “os campos que foram instalados “têm de tudo, cobertores, brinquedos, fraldas”. As provisões de comida também não faltam, assim como em cada campo há um médico que atende durante as 24 horas do dia, detalhou o voluntário da Confederação das Misericórdias.

As refeições são servidas nos horários estabelecidos e é um momento importante de reunião entre todos, “mas a cozinha está sempre aberta para um café”, assegurou.

“Agora o que mais temo é a neve. Esperemos que chegue o mais tarde possível, porque a temperatura cai muito e faz muito frio. Espero ter uma casa”, comentou uma idosa que perdeu seu imóvel em Arquata.

O prefeito de Arquata, Michele Franchi, disse esperar que “dentro de um mês as barracas desapareçam e as pessoas tenham outro lugar mais digno para ficar”.

As barracas são impermeáveis e nestes dias foram colocadas estufas para esquentar, mas nas últimas horas tiveram que ser instaladas também passarelas e cobrir com cascalho muitos caminhos para evitar o barro.

Outra preocupação dos afetados são seus pertences, que ficaram em suas casas à mercê de qualquer um que queira roubá-los e por isso “muitos passam o dia vigiando que ninguém entre em suas casas”, explicaram os voluntários.

Outros, segundo dizem, voltam ao campo para dar de comer a seus animais ou tentam ver se podem abrir seus negócios.

Os voluntários da Confederação das Misericórdias também participaram de rodadas de vigilância durante a noite para evitar roubos nas casas que não se encontram na zona vermelha, mas que também tiveram que ser abandonadas.

Santini salientou que, embora a situação no campo por enquanto seja boa e os evacuados estejam completamente assistidos, “não poderão estar aqui por mais de um mês”.

A solução que está sendo estudada é a de situá-los em outras instalações ou inclusive em hotéis, mas nem todos querem se afastar de suas antigas casas.

“Chegarão em um mês as desejadas casas de madeira que lhes prometeram?”, se perguntam agora, enquanto a única certeza é que o frio do outono chegará à região.

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Fonte: G1

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