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Publicado por no dia 10/06/2014 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

‘Influência islâmica’ em excesso leva Reino Unido a intervir em escolas do país

Educa-britanica

Investigação mostrou ‘cultura de intimidação’ de viés islâmico.Segundo relatório oficial, escolas da cidade estariam sob influência de conservadores do Islã

O governo britânico pôs cinco escolas sob regime especial de vigilância após um relatório oficial concluir que estabelecimentos de ensino da cidade de Birmingham — a segunda mais populosa do país — foram tomadas por uma “cultura do medo e intimidação”. Os resultados foram anunciados pelo Ofstead (órgão responsável pela supervisão das escolas) com base na investigação de 21 instituições após denúncias de uma suposta conspiração montada para promover o fundamentalismo muçulmano, a partir da infiltração de elementos que pregam valores islâmicos radicais.

Entre as descobertas da equipe de supervisores estão evidências de que meninos e meninas estavam sendo separados para as aulas de educação religiosa e desenvolvimento pessoal. Num dos colégios — que recebem verbas públicas, mas são administrados por entidades sem fins lucrativos — funcionários da instituição incentivavam as moças a evitarem falar com os rapazes e as convenciam a não participarem de atividades extracurriculares e visitas. Em outro caso, as aulas de música foram suspensas contra a vontade dos alunos. Descobriu-se, ainda, que numa escola usavam-se as verbas do estabelecimento para financiar uma viagem anual de alunos muçulmanos à Arábia Saudita.

O medo de alguns professores de retaliações levou pelo menos um deles a marcar encontros no estacionamento de supermercados para conversar com os supervisores do governo. O documento oficial afirma, ainda, que alguns professores e diretores acabaram forçados a abandonar o seu trabalho ou foram simplesmente marginalizados, dada a influência dos chamados membros dos conselhos de ensino — responsáveis pelo monitoramento da qualidade da escola e formados por representantes dos pais, da comunidade e funcionários da escola. A campanha — que ficou conhecida como Cavalo de Troia — foi identificada pelo governo a partir de uma denúncia anônima.

“Os líderes (dos conselhos) estão exercendo muito mais influência do que é apropriado ou aceitável”, criticou Michael Wilshaw, diretor do Ofstead.

Uma sexta escola já estava sob o regime especial, mas pela baixa qualidade do ensino. Para outras 11, foram sugeridas melhoras. O Park View Educational Trust, responsável por três das escolas onde foram encontrados problemas, defende-se afirmando que os colégios “não toleram nem promovem o extremismo”.

Novos resultados

O secretário da Educação britânico, Michael Gove, acusou os diretores muçulmanos das cinco escolas de promoverem uma “campanha organizada” para impor aos seus alunos uma ideologia baseada na religião.

O trabalho do Ofsted resultou também em inquéritos da Câmara Municipal e da polícia. Para representantes da comunidade muçulmana, está clara motivação política e fala-se em islamofobia.

A controvérsia sobre a educação em Birmingham acabou ganhando contornos políticos e já está sendo vista como um novo revés para o governo conservador de David Cameron, depois do desempenho ruim do partido na eleição do Parlamento Europeu. Tudo isso acontece a menos de um ano das eleições gerais de maio de 2015, que determinará o novo premier. Nos bastidores do governo, o receio sobre o documento foi tal que, já na semana passada, os secretários de Educação e do Interior, a poderosa Theresa May, tentaram se distanciar dos resultados negativos que devem ser divulgados nesta terça-feira. A troca pública de acusações entre os dois sobre quem teria relaxado no quesito “combate ao extremismo” exigiu a intervenção de Cameron, que convocou uma reunião de emergência. Especialistas viram na queda de braço uma disputa por poder no partido. May é uma das mais cotadas para assumir a liderança dos conservadores.

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Fonte: O Globo

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