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Publicado por no dia 20/06/2014 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

Esperança: remédio centenário pode curar o autismo

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Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA, testaram um medicamento chamado suramina, sintetizado em 1916 e conhecido por tratar a doença do sono africana, e descobriram que uma única dose do remédio reduziu os sintomas do autismo em camundongos adultos. Os resultados foram publicados na revista científica “Translational Psychiatry”.

Segundo os pesquisadores, a semelhança entre o autismo e outras enfermidades que produzem resposta imune é a chave da reversão do distúrbio. Quando há ameaças às células – como vírus, bactérias ou substâncias químicas poluentes, por exemplo -, elas reagem defensivamente, endurecendo suas membranas e diminuindo a comunicação entre si. Isso é conhecido como resposta de perigo celular, reação geralmente temporária.

Um dos principais fatores que contribuem para o autismo é essa mesma falha de comunicação entre as células, que ocorre devido a uma resposta imune que limita a transferência de adenosina trifosfato (ATP) e de compostos derivados.

“As células se comportam como países numa guerra. Quando a ameaça começa, elas endurecem as fronteiras. Mas, sem uma constante comunicação do lado de fora, as células começam a funcionar de maneira diferente. No caso dos neurônios, eles fazem menos ou mais conexões. Uma forma de entender o autismo é que, quando as células param de se comunicar, as crianças param de falar”, explicou o principal autor do estudo, Robert Naviaux, professor de Medicina pela universidade.

A suramina, por sua vez, foi capaz de interromper a resposta de perigo celular e, com isso, reverter os sintomas autistas.

Segundo Naviaux, ainda é cedo para comemorar uma cura para o distúrbio. Testes em humanos ainda estão longe de ocorrer. Primeiro, é preciso ter certeza da segurança da droga para esse tipo de uso.

Por outro lado, ele celebrou o fato de uma única dose ter sido capaz de reverter os sintomas. Isso significa que não seria necessário o uso crônico do remédio.

“Obviamente que corrigir as diferenças de uso em camundongos e humanos é um longo processo, mas pensamos que essa abordagem é uma nova e fresca maneira de pensar sobre o desafio do autismo” defendeu.

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Fonte: O Globo

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