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Publicado por no dia 11/08/2015 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

Doação de tecidos de fetos abortados causa polêmica nos EUA

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A polêmica é um novo capítulo da ‘guerra’ contra o aborto nos Estados Unidos

 

Começou a batalha nos Estados Unidos para definir quem disputará as eleições presidenciais de 2016 pelo Partido Republicano e, como em campanhas anteriores, o aborto voltou a aparecer no discurso da maioria dos candidatos.

Desta vez, os aspirantes conservadores da Casa Branca têm os olhos voltados para o Planned Parenthood (PP), que realiza abortos e atende a mais de 2 milhões de pessoas por ano.

Os serviços do PP ganhou as manchetes nas últimas semanas depois que um grupo antiaborto publicou um vídeo que mostra alguns dos altos executivos do grupo supostamente discutindo com uma linguagem bastante explícita a venda de órgãos e tecidos de fetos abortados.

Além disso, nas gravações com uma câmera oculta feitas pelo The Center for Medical Progress, os representantes da Planned Parenthood aparentemente falam sobre modificar a forma como os abortos são realizados para obter determinados órgãos.

Em um dos vídeos divulgados, feito com uma câmera escondida, Deborah Nucatola, diretora sênior de Pesquisas Médicas da PP, discute o fornecimento de tecido fetal.

Ela diz ao cinegrafista – que se passou por um funcionário de uma empresa de biotecnologia – que os médicos que farão o aborto podem ajustar seus métodos para deixar os órgãos intactos.

“Nós somos bons em tirar o coração, pulmão, fígado, porque sabemos o que fazer, então não vamos esmagar aquela parte, vamos esmagar mais em baixo, em cima, pra conseguir tudo intacto”, diz Nucatola no vídeo.

Nos Estados Unidos, tanto a venda de órgãos fetais, como a modificação das técnicas de aborto para obtenção desses órgãos estão proibidas por lei.

Planned Parenthood se defendeu dizendo que os vídeos foram editados para prejudicar a imagem da organização e garantiu que não faz negócio com os abortos que pratica, cobrando somente pelos gastos de conservação e transporte dos tecidos fetais aos centros de pesquisa que os utilizam.

Financiamento

A polêmica fortaleceu o argumento de grupos antiaborto, que receberam apoio da maioria dos pré-candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos. Eles se comprometeram a retirar o financiamento público à Planned Parenthood, que chega a US$ 500 milhões.

Foi exatamente isso que os Estados de Alabama e Louisiana fizeram nos últimos dias, enquanto alguns membros conservadores do Congresso estão ameaçando bloquear futuros orçamentos do governo federal se ele não acabar com o financiamento para a PP – eles não conseguiram aprovar uma lei com esse objetivo na semana passada.

Do lado democrata, os congressistas defendem o papel da Planned Parenthood como provedora de serviços de saúde para muitas mulheres de baixa renda e insistiram que os abortos representam somente 3% das suas atividades, que incluem a prescrição de anticoncepcionais e a realização de exames para detectar câncer e HIV.

Além disso, eles pontuam também que os cerca de 300 mil abortos feitos por ano pela PP não são financiados com dinheiro público, já que isso é proibido por lei, a não ser em casos de risco de morte da mãe.

Ao mesmo tempo, o governo também menciona que as pesquisas feitas nas últimas décadas usando tecidos fetais têm ajudado a medicina a conseguir inúmeros avanços na luta contra doenças como a poliomielite e o mal de Parkinson.

Por enquanto, o The Center for Medical Progress publicou cinco vídeos da Planned Parenthood e já anunciou que publicará novas gravações nos próximos dias, garantindo que assim a questão do aborto permaneça no centro do debate político às vésperas das eleições presidenciais de 2016.

Dúvidas

“É verdade que algumas das coisas que se dizem nos vídeos são preocupantes”, afirmou Arthur Caplan, diretor da Divisão de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York (NYU) à BBC.

“Não acredito que seja possível tirar qualquer conclusão desses vídeos, porque o que se fala neles são coisas gerais. Mas sim, me parece que a linguagem utilizada pelos representantes da Planned Parenthood neles é pouco respeitosa”.

Questionado sobre quão comum é o uso de órgãos fetais no campo da pesquisa médica nos Estados Unidos, Caplan conta que, nas últimas décadas, eles têm sido substituídos por células-tronco.

“No início dos anos 1990, as pesquisas com tecido fetal era muito promissoras, ainda que muitos experimentos não tenham atingido os resultados esperados”.

“Então, no fim da década de 1990, a maioria dos pesquisadores interessados em Medicina Regenerativa passaram a usar células-tronco em vez de tecidos fetais, que na realidade são usados principalmente para estudar patologias de fetos”, acrescentou.

Intermediários

Caplan afirma que os que estão se aproveitando dessas doações de fetos – que só podem ser feitas com consentimento das mães – são os intermediários, “que são tanto companhias, como indivíduos que colocam à disposição dos pesquisadores os tecidos em troca de grandes quantidades de dinheiro”.

“Não sabemos realmente se o que estão cobrando corresponde somente aos custos que têm e se isso deveria ser investigado pelas autoridades”, complementou.

Segundo o especialista da Universidade de Nova York, “os cientistas que trabalham com tecidos fetais sabem que se trata de uma atividade polêmica e preferem não falar sobre isso em público, temendo até pela sua segurança pessoal”.

Caplan considera que as doações de tecidos fetais não estão sendo fiscalizadas como deveriam. Isso acontece porque “entre outras coisas, os próprios políticos não querem falar sobre esse assunto polêmico.”

“O aborto é uma polêmica nos Estados Unidos por diversas razões. Esse país é mais religioso que outros países desenvolvidos e isso é um assunto que foi solucionado no plano judicial, mas não no político, e essa não é a melhor forma.

“Além disso, nos últimos anos ficou mais fácil poder ver imagens dos fetos porque entendemos melhor sobre seu desenvolvimento, o que os faz ainda mais reais e influencia a opinião das pessoas”, opina Caplan.

Segundo o especialista, “esta polêmica é um novo capítulo na ‘guerra do aborto’” que vem sendo travada nos Estados Unidos há décadas.

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Fonte: BBC Brasil

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