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Publicado por no dia 10/01/2014 em Brasil e Mundo, Notícias | Nenhum comentário

‘Contei 180 furos no meu filho’, diz pai de preso decapitado

preso

Na última vez em que esteve com o filho, há sete meses, o vendedor de frutas Domingos Pereira Coelho, 58 anos, ouviu a promessa: “Boa noite, pai, amanhã eu volto”.

O reencontro entre pai e filho só aconteceu em dezembro. Dyego jazia na mesa do IML (Instituto Médico Legal) de São Luís, capital do Maranhão. A cabeça estava separada do corpo.

Domingos ainda manteve sangue frio para observar melhor o cadáver. “Contei 180 furos no meu filho, um por um, isso só na parte da frente, porque ele estava de barriga para cima”, afirmou.

Dyego Michael Mendes Coelho, 21 anos, e outros dois presos – Manoel dos Santos Ribeiro, 46 anos, e Irismar Pereira, 34 anos – foram decapitados em rebelião ocorrida no dia 17 de dezembro do ano passado, no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pedrinhas –maior complexo prisional do MA. Um quarto preso morreu a facadas no motim.

Três das vítimas formavam uma mesma família. Ao lado do corpo de Dyego estava o de Manoel, pai de sua namorada. O esfaqueado era Gilson Gleyton Silva, filho de Manoel.

Em vídeo revelado pela Folha, detentos registraram a celebração das mortes e zombaram com os cadáveres.

Traição

Domingos concordou em falar sobre o tema, mas longe de sua casa. Ele vestia uma camisa branca com a foto do filho e a frase: “No meu coração onde quer que eu vá”.

Partiu dele a ideia de confeccioná-la para a missa de sétimo dia do rapaz. Mas Domingos não que só mostrar a foto de Dyego. Chama a atenção para a mensagem atrás da camiseta: “Nem Jesus escapou da traição”.

“Lá os presos se faziam todos de amigos dele. Mas cortaram a cabeça do meu filho”.

Vídeo da selvageria

Domingos toma fôlego para contar por que quis assistir ao vídeo de presos zombando com o cadáver de seu filho, preso por porte ilegal de munição.

“Eu vi o vídeo porque queria saber até que ponto pode ir o ser humano”. E descreve as cenas dos presos com a cabeça do filho, celebrando a decapitação.

A dor que diz não poder descrever é a de pensar o quanto seu filho sofreu, da tortura e das facadas até o momento da decapitação. “Eu não desejo para nenhum bicho o que meu filho passou. Nem para os próprios presos que o mataram”.

A lembrança de Dyego na memória do pai é a de um garoto cercado de amigos da rua, desde a infância. Apesar de aplicado na escola, era um menino levado, admite o pai.

Chegou a concluir o ensino médio e há dois anos recuperava-se de um acidente de carro. Dizia ao pai que pretendia retomar os estudos. ”Um dia me disse que queria ser engenheiro”. Na dúvida, o pai já havia se apressado em passar a barraca de frutas para o nome de Dyego.

O rapaz deixa dois filhos, o mais velho de dois anos. A caçula ele não conheceu: a menina nasceu em setembro, quando o pai estava no CDP.

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Fonte: Folha

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