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Publicado por no dia 23/06/2014 em Mensagens Pastores | Nenhum comentário

As bênçãos que sustentam o casamento – Parte 4

(Continuação)

2. Gratidão

As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.(Epicuro)

Vimos no último artigo que a emancipação – uma conquista para os solteiros – ocorre simultaneamente a uma aparente perda, pois esse “deixar” o espaço geográfico, “deixar” a segurança financeira, “deixar” o conforto emocional envolvem certo grau de abdicação. A medida que cada um de nós constrói a sua própria vida com solidez, com segurança, vê que em um sentido é bem melhor ter a sua independência e viver a vida como resultado de seu trabalho e esforço (além da bênção do Senhor) do que depender eternamente daquilo que antes tinha e desfrutava na casa dos pais. É claro que à primeira vista a sensação é de “perda”, “prejuízo”. O esforço deverá ser dobrado para se conseguir as coisas, mas garanto a você que isso dura um tempo, até que as coisas se estabilizem. Se não fosse assim há muito tempo as pessoas tinham deixado de se casar e de irem morar sozinhas. Algum espertalhão já teria lançado essa ideia.

Vimos também que precisamos deixar a casa dos pais de modo agradecido, com sincera gratidão. Eu tenho falado muito a respeito de gratidão de uns tempos para cá, pois descobri que a gratidão é um princípio e princípios não podem ser quebrados. Princípios existem para organizar as coisas que precisam ser feitas e fazê-las funcionar bem; os princípios são como normas que garantem o efeito que queremos alcançar.

No século 17, o filósofo francês René Descartes afirmou que “Não há nenhuma coisa existente da qual não se possa perguntar qual é a causa”. Todos nós estudamos na escola a chamada “Lei da Causa e Efeito”, porque até as ciências trabalham com essa relação; tudo o que está aí, no mundo físico, tem a sua causa; nada acontece por acaso. Nem mesmo o homem e a natureza são obras do acaso: Deus é a causa primeira que provocou todas as demais causas e seus respectivos efeitos. Então, pensando por este prisma, se o mundo natural funciona bem – com a operação concreta das chamadas leis da natureza que Deus criou – então por que justo na nossa vida as leis e princípios de Deus falhariam? Isso faz sentido para você?

Mas o fato do envolvimento de Deus nas questões do nosso dia a dia vão mais além, porque em geral nós evangélicos não somos deístas, mas sim, teístas. Os deístas pensam que Deus criou o universo, colocou nele as suas leis e ausentou-se de nosso meio, deixando as coisas funcionarem por si mesmas. Logo, não há um Deus pessoal conforme lemos nas Escrituras. Já os que são teístas como nós pensamos diferente. Teístas entendem que além de criar leis que regulam a ordem na natureza e no cosmo, acreditam, ainda, em um Deus pessoal, presente, o Emanuel – o Deus conosco! A Bíblia diz isso e lemos esta afirmação no artigo do profeta Isaías: “Pois o Senhor mesmo vos dará um sinal: A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e ele se chamará Emanuel” (Isaías 7.14).

Além disso, a Bíblia diz que o próprio Jesus sustenta todas as coisas por aqui: “Ele é o resplendor da sua glória e a representação exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1.3). Como não agradeceríamos a um Deus assim, por tudo o que tem feito por nós? E como não seguiríamos os seus princípios?

Então, entendendo que a gratidão faz parte do jogo, eu sempre digo que aquele que cospe no prato em que comeu, o faz sem a consciência de que um dia terá de comer novamente no mesmo prato. O mal agradecido é vítima da sua própria ingratidão.

A ingratidão fecha a porta para que outros milagres aconteçam. As pessoas ingratas estão plantando uma semente deficiente, improdutiva, e irão colher o pior para suas próprias vidas! Não há como alguém plantar alho e colher cebola. Uma semente não gera fruto de outra natureza, de outra espécie. Bem, isso não é a descoberta da roda, mas há quem finja que essas coisas são assim e, passando por cima dos princípios e das leis, fazem tudo errado. Não é preciso ser um gênio da botânica ou da agricultura para saber isso, não! Então, por que as pessoas ainda encontram dificuldades enormes para fazer as coisas funcionarem de maneira coerente, conforme o fluxo natural de cada espécie, conforme a natureza da cada semente?

Penso que o problema está no coração humano, no que o apóstolo Paulo chamou de “a carne”. Paulo disse:

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero. Portanto, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. (Romanos 7.18-20)

É nela, na carne, que o pecado habita. E quando não conseguimos ser discípulos de Jesus como Ele disse para sermos, é porque a carne está “falando mais alto” em nós do que o Seu Espírito. O jeito é ouvir a Deus, saber o que Ele diz como orientação sábia para cada coisa que precisamos fazer, para cada decisão que iremos tomar e para cada projeto que vamos iniciar. Nem sempre a voz mais alta e mais intensa é que a que tem razão. A voz das ruas nem sempre é a melhor conselheira. Quando a multidão respondeu a proposta de Pilatos, gritou mais alto do que a voz de Jesus. A multidão convenceu a Pilatos e ele entregou Jesus para ser crucificado; eles erraram: “Pilatos, porém, disse: Mas que mal ele fez? Eles, contudo, gritavam ainda mais: Que seja crucificado!” (Mateus 27.23).

A Palavra de Deus fala as coisas que são de Deus, mas normalmente não faz com alarde; Sua voz é mansa e delicada. Ela é a expressão da Sua verdade e da Sua vontade, e sabemos que a vontade de Deus não nos desagrada, porque ela é “boa, perfeita e agradável (Romanos 12.2). Você quer experimentar coisas assim? Coisas boas, perfeitas e agradáveis? Todos nós queremos isso. Então, prefira a vontade de Deus para a sua vida, pois só ela pode reunir essas qualidades e ainda abençoar a sua vida.

Filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe; este é o primeiro mandamento com promessa, para que vivas bem e tenhas vida longa sobre a terra. (Efésios 6.1-3)

Essa é a Palavra de Deus para os solteiros, para os filhos que vivem com seus pais, com sua família. Esse é o princípio de Deus no qual você deve prestar atenção, meditar nele e armar estratégias para fazê-lo ser cumprido em sua vida. O texto é bem simples, não precisa ser um teólogo para compreender toda a profundidade dessa revelação e nem precisa ser um filósofo para meditar e entender os resultados – os feitos – a que essa lei orienta, que ela faz surgir. A norma é obedecer aos pais no Senhor… honrar pai e mãe. E a promessa, ou seja, o fruto é apresentado logo em seguida: viver bem e ter os dias prolongados na terra. Quer isso para a sua vida? Quer viver bem? Quer viver um tempão, para dar conta de fazer as coisas boas que você pode imaginar? O caminho para isso está aí, a semente é obedecer aos pais no Senhor… honrar pai e mãe.

Então vamos pensar na história do filho pródigo. Todos conhecem a parábola que Jesus contou sobre o filho que saiu de casa e foi gastar sua herança com as aventuras que tinha a disposição àquele tempo e deixou o pai e o irmão mais velho para trás, cuidando dos negócios da família. A parábola completa está registrada no Evangelho de Lucas 15.11-32, mas você a deve conhecer.

A minha pergunta é: “O filho pródigo errou ao sair de casa?”. A resposta imediata é “não”. Eu penso que ele não errou, porque todo filho um dia terá de sair da casa de seus pais, é a emancipação. Ou os filhos saem para estudar fora, ou saem para trabalhar (quando o emprego é em outra cidade), ou saem para fazer missões quando têm chamado e vocação para isso, ou saem para fazer intercâmbio cultural em outro país ou em outro estado no Brasil mesmo. Todo filho terá que sair de casa um dia, seja qual for o motivo. Tem uns que saem até por causa da paixão: se apaixonam por alguém e vão embora, em busca do seu amor. Mas isso é uma outra história…

Um dia todo filho terá que ser emancipado. Então o filho pródigo não errou porque saiu de casa emancipado, com a sua herança a que tinha direito. Não foi como Jacó, que “armou uma maracutaia” e precisou sair escondido, fugindo da família.

Mas o fato de o filho pródigo precisar sair um dia, o que eu não digo que estivesse errado, não significa que ele saiu tomando a decisão mais acertado de sua vida. Ele errou sim, e errou por pelo menos três motivos. São eles:

– primeiro, porque saiu na hora errada;

– segundo, porque ele saiu do modo errado;

– terceiro, ele errou porque saiu com uma motivação errada.

Além do mais, há quem confunda o recebimento da herança associando-a a uma bênção. Pensam que se ele saiu com “dinheiro”, logo, a bênção foi dada a ele. Nada mais longe da verdade. Traficantes e políticos corruptos também têm muito dinheiro, mas não têm a bênção de Deus. Não podemos confundir as coisas associando um efeito a uma causa que não é a sua causa primária.

Se o filho pródigo saiu de casa com muito dinheiro, mas sem a bênção, precisamos perguntar: “O que acontece quando alguém sai de casa levando a herança, mas sem levar a bênção dos pais?”.

Esteja certo de que algo irá acontecer. De cara o texto de Lucas 15 nos diz que, não muito depois do dia em que saiu de casa, aquele rapaz perdeu a sua herança, gastou toda ela e ficou duro. Eu disse que ele saiu antes do tempo, então não teve tempo de aprender como gerenciar os bens que recebeu, que herdou do pai e da família. Ele saiu com a cabeça ainda imatura, “verde”, e não se deu conta de que a mesada que recebia na casa dos pais seria renovada alguns dias depois, ou semanas depois, como acontece com os filhos que recebem mesada dos pais. Longe de casa, não há um “financiador” que garanta o cuidado dos recursos. Não há quem gere riqueza, quem produza bens, quem invista o patrimônio. Tudo isso, agora, deve ser feito pelo próprio filho que saiu de casa. Cada um cuida do seu dinheiro e de como deve administrá-lo. Como saiu de casa antes do tempo, o rapaz “perdeu essa aula” e não aproveitou bem a grana que recebeu do pai.

(Continua)

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