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Publicado por no dia 09/06/2014 em Mensagens Pastores | Nenhum comentário

As bênçãos que sustentam o casamento – Parte 2

1. As bênçãos: qual delas você já tem?

Resista às tentações, pois um dia elas voltarão como bênçãos  (Ludwig Plateau).

Todos nós queremos que as bênçãos do Senhor nos acompanhem o tempo todo. Oramos por isso, insistimos em alcançá-las e é possível que já tenhamos feito pedidos que no fim nem seriam tão bons para nós, pois nem tudo o que pedimos ou desejamos é o melhor. O apóstolo João escreveu numa de suas cartas que podemos pedir coisas aparentemente boas, mas que estão fora da vontade de Deus: “E esta é a confiança que temos nele: se pedirmos alguma coisa segundo sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14). João diz que Deus nos ouve, não no sentido de escutar ou não escutar, mas no sentido de atender, somente quando pedimos coisas segundo a Sua vontade; em sentido contrário, podemos pedir coisas que não são da vontade de Deus nos dar, então Ele não ouve no sentido de não atende-las, pois sabe que determinadas coisas não nos farão bem. Ele “ouve”, ou seja, “atende” aos pedidos que se alinham com o melhor plano de Deus para nós.

Em Mateus 7.9-11 Jesus disse algo mais ou menos parecido com o que João escreveu: “Quem dentre vós, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está no céu, dará boas coisas aos que lhe pedirem!”. O texto é bastante claro e estabelece um princípio pelo qual Deus guia o nosso relacionamento. Ele dá a seus filhos o que é bom e melhor.

Deus tem bênçãos para cobrir cada área e cada época durante toda a nossa vida; Suas bênçãos suprem cada necessidade em cada fase de nossa existência. Mas uma mensagem vem enchendo o meu coração nos últimos meses e ela tem haver com as quatro bênçãos encontradas na Bíblia que devem ser as bênçãos mais significativas que o Senhor tem para dar a uma pessoa. São elas:

– a bênção dos pais

– a bênção sacerdotal

– a bênção judicial

– bênção sexual.

O texto de Gênesis 2.24 ensina que há um modo certo de fazer o casamento começar bem. Há muita gente que começa o casamento de qualquer jeito, começa o namoro tumultuado, depois alguns ficam noivos entre tapas e beijos e ainda por cima esperam que o casamento seja uma eterna lua de mel. Não será jamais! Mas há um modo de fazer as coisas certas desde o começo. O texto diz de Gênesis diz: “Portanto, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”. Ao ler a frase “Portanto, o homem deixará”, nós somos informados sobre um tema presente na realidade dos solteiros, que é o tema da emancipação. A emancipação é uma das fases mais maravilhosas na vida de um solteiro, isso quando ele começa bem a sua jornada pessoal rumo à maturidade. Para alguns, a emancipação é um objetivo que ocupa a sua cabeça durante bom tempo. Eu penso que a emancipação é o primeiro grande objetivo da vida dos solteiros, mesmo que eles não se casem ao saírem de suas casas, pois muitos conseguem a emancipação quando vão estudar fora ou até mesmo trabalhar.

Quando falamos sobre o tempo da maturidade, essa palavra “emancipação” assume outra conotação, pois envolverá todo o “kit” vida adulta: casamento, trabalho para o auto sustento e sustento da família, constituição de um lar e crescimento do seu patrimônio, isto é, alargamento das suas tendas, a expansão já pensando na vida futura, lá na frente, a tal da aposentadoria. É preciso planejar isso também, mas não quando se estiver com 50 ou 60 anos de idade; o planejamento deve começar cedo para não ter surpresas desagradáveis amanhã, quando não tiver mais forças ou mesmo saúde para construir alguma coisa.

O jovem que começa bem a sua jornada pessoal, ouvindo e acatando as boas palavras de seus pais (como diz os versículos de Efésios que abrem este artigo), seguindo os princípios da Palavra de Deus, sem dúvida fará uma boa emancipação, com segurança, com boas perspectivas e com muita esperança, e a esperança é algo que solteiros devem cultivar por toda a vida (Romanos 5.3,4; 15.4).

Além da emancipação subentendida no texto do Gênesis, conforme a frase “o homem deixará”, a ideia central também indica uma ação, pois todo verbo implica uma ação. O verbo “deixar” tem três aspectos importantes que nos ensinam certas verdades, que são:

O primeiro aspecto é a ação de deixar o espaço geográfico habitual e o que isso implica: implica em deixar a segurança financeira que a casa dos pais provê; significa deixar o conforto emocional que o lar paterno permite; significa deixar os laços de proteção da vizinhança e as primeiras raízes que criamos em nossas vidas. Mas essas implicações não significam que a Bíblia esteja ordenando o abandono de tudo o que fica para trás. A Bíblia diz “deixar”, mas não diz “abandonar”. Assim, devemos entender esse “deixar” como uma ação concluída à base da honra, com nobreza de espírito. Quem sai da casa dos pais deverá fazê-lo “pela porta da frente”, como diz o ditado popular, e não fugido, como fez Jacó. Conhece a história de Jacó? Jacó fez uma verdadeira “lambança” contra seu pai e contra seu irmão mais velho e, para remediar a situação, a sua mãe “armou” uma fuga estratégica para ele, mandando-o esconder-se na casa do irmão dela, o desonesto Labão. Quem faz lambança vai morar escondido com Labão. E na casa de labão, Jacó passou por diversos “perrengues”.

O ato de deixar a casa dos pais deve ser feito com gratidão no coração. Afinal, por muitos anos os solteiros são recebidos, sustentados, cuidados, amparados, alimentados, têm lugar para dormirem, para guardarem suas coisas e uma enorme lista que poderia ser feita aqui. Seus pais, certamente, quiseram o seu nascimento, mas em nenhum momento isso dá imunidade para que você seja grato a eles pelo que fizeram. Eu posso imaginar que houve momentos que sua opinião não “bateu” com a opinião de seus pais, mas você deve imaginar que a decisão e a posição que eles tomaram sobre os assuntos que vocês divergiam expressava como eles viam cada questão. Se eles foram “limitados” ou “antiquados” no que fizeram, isso ocorreu dentro do limite que a vida impôs a eles, mas nunca por uma questão de má fé.

Isso dá ocasião a outro aspecto do ato de deixar a casa dos pais: isso deve ser feito com respeito. Veja com atenção o que a Bíblia diz neste ponto: “Vós filhos sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isso é justo. Honra a teu pai e a tua mãe…” (Ef 6.1,2).

Infelizmente eu tenho visto muitos jovens que não levam a sério o princípio de respeito à autoridade dos pais. Foi o Senhor quem pôs sobre eles a autoridade que têm hoje. Eles são peças desta engrenagem que já estava funcionando e vinham fazendo o mecanismo trabalhar antes de nós chegarmos ao mundo. Solteiros que não compreendem e não se ajustam a esse mecanismo enfrentarão dificuldades para demonstrar a seus próprios filhos, amigos e a família do seu futuro cônjuge que parte da engrenagem eles mesmos são. Imagine um solteiro tentando explicar para os pais daquela pessoa a quem ele ama a sua intenção de fazer isso ou aquilo, ou de querer ser isso ou aquilo no futuro. Mais cedo ou mais tarde terá que falar da sua relação com os próprios pais e se ela for conflituosa, desajustada, como convencerá a alguém de que poderá fazer melhor na família dos outros do que o que fez em sua própria família? No caso, como poderá tratar bem a pessoa a quem ama e com quem quer se casar se não conseguiu tratar bem aqueles que o trouxeram ao mundo e cuidaram dele? Estou sendo claro?

Posso tentar ser mais aberto. Eu sou pai de três filhos. Se um solteiro ou solteira viesse a minha casa apresentar-se como candidato a casar-se com um de meus filhos, como poderia convencer-me que respeitará o meu solteiro se não respeitou a seus próprios pais? Como poderá alguém que não honrou os seus próprios familiares convencer-me de que honrará os meus familiares, no caso os meus filhos? Como alguém que não é grato hoje nem foi no passado poderá convencer-me de que será grato amanhã e no futuro distante? Essas coisas são como uma roda, a roda da vida. Fazem ciclos e essas atitudes, quando existem, se repetem. É assim que essas coisas funcionam há milhares de anos, e não é a “energia” do funk, a “ira” do rock ou o “piercing maneiro” que farão as coisas mudarem à sua volta. A mudança deverá começar bem aí dentro do seu coração e da sua mente:

E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.2).

Preste atenção a isso: os pais são figuras de autoridade. A família também é figura de autoridade. As coisas se moveram para o lado dos solteiros porque os seus pais já estavam fazendo o mecanismo funcionar, a roda girar, por isso a gratidão e o respeito precisam existir na relação familiar, entre o solteiro ou a solteira e seus pais. Olhar as coisas da perspectiva de que “era dever deles” não é a única e nem mesmo a melhor maneira de ver as coisas. É a maneira parcial e, portanto, incompleta – e eu diria até mal agradecida e desrespeitosa de ver as coisas.

Quando eu falo de bênção familiar, por exemplo, eu vejo a família como a figura de autoridade para abençoar ou não abençoar a saída de um solteiro de casa de seus pais. A chave da bênção está nas mãos da família, do “todo” que é a família. Em outras palavras, a bênção de Deus não foi dirigida com exclusividade para uma pessoa, especialmente as que são solteiras. Essa bênção Deus pôs na família há pelo menos quatro mil anos, quando disse a Abraão: “Em ti [referindo-se a Jesus, o descendente de Abraão] serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3b).

(Continua)

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